segunda-feira, 25 de abril de 2011

Vol. I - bloco 6 (2/2)









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Com muitos colegas estudantes nós concordávamos que estas pinturas que queriam confundir-nos quanto ao antitético [das Antithetische], com tudo que poderia ser dito em defesa delas, pouco tinham em comum com nosso interesse. Nós queríamos, nós mesmos, identificar o que para nós era dito ou o que tinha sido superado, o que estava à serviço da Demagogia ou o que podia ser útil às nossas tentativas de descoberta. Pintores, poetas, filósofos informavam sobre os confrontos e crises, as opressões e recomeços de nosso tempo. Na transição de um Estilo [Stilart] a outro, numa súbita libertação da emoção, do gesto, da cor, deixava reconhecer mudanças sociais, porém sempre era na diversidade de espelhamentos, das concentrações visuais, a se encontrar uma unidade, todas davam uns aos outros nutrição, perguntava, respondia um ao outro, e nada era assim tão remoto que não fosse compreensível. A reflexão surgia, se não por dependência do artista quanto a nobreza e ao clero, por toda uma necessidade, o desejo de obedecer ao mandante, dava ao trabalho deles grande segurança e capacidade quanto a posteridade, pois que eles se mantinham por si mesmos e eram responsáveis apenas por si mesmos. A lenta e calma realização da Obra dentro de uma sequência assegurada pela Tradição foi substituída pela exigência de originalidade, o que era novo não foi atribuído ao completo saber artesanal, mas sim ao Gênio, e este impulso para a peculiaridade, para a dedicação ao individual, levou ao isolamento, ao se meditar a predominância dos sofrimentos pessoais, até um excesso e, finalmente, o desafio da Arte. Com as gravuras de Dürer, do filho pródigo e da Melancolia, foi claramente a separação marcada entre a Arte hierárquica e aquela que se colocava e plenamente si só tinha que encontrar a escolha deles [dos artistas]. Nós discutíamos se por isso, porém, não seria legítimo, quanto a Arte, com pretensão de exclusividade, a impor uma linha-diretiva, e se tal determinação de uma definitiva função novamente poderia provocar uma persuasão, uma consequência. Porém um estilo não se deixava coagir, ele devia se desenvolver de modo orgânico. Isso pertencia ao período no qual vivíamos, que tudo o que era anterior, antes de tudo o que podíamos vir a conhecer, se tornava uma mistura cultural [Schmelztiegel; melting pot], quando o estilo da nossa época devia ser um constante pesquisar e rejeitar. E, perguntou a mãe de Coppi, como podia ser possível ao artista de outrora produzir sob a permanência dos tiranos. Por que eles não desvelavam a proporção da opressão e não questionavam as relações de poder, respondia Coppi, eles expressavam o que eles consideravam certo. O artista esclarecido de hoje em dia, que se colocava às ordens da ditadura, podia apenas fingir e enganar a si mesmo. Os monumentos do Fascismo, baseados em modelos gregos e romanos, expressavam nada além de um engessado vazio. Por isso, disse Heilmann, os representantes da verdade vivem no exílio ou na prisão ou, se eles ousam revelar suas opiniões aos mandatários, eles pagam sua sinceridade com a morte. Prisão e tortura, proibição de trabalho, fuga, exílio e fogueiras, ele disse, pertenciam ao destino do artista, desde que ele começou a se expressar livremente diante dos superiores. A Arte em sua totalidade, ele continuava, a literatura no total está disponível para nós sob a proteção de uma deusa, Mnemosyne, que ainda podemos aceitar. Ela, a mãe da Arte, chama-se Memória. Ela protege o que se insere no desempenho geral de nossa própria percepção. Ela sussurra para nós o que as nossas emoções exigem. Quem se atreve a criar este bem acumulado, até se castigar, só nos prejudica ao condenar nossas capacidades de distinção. Às vezes considero os historiadores de Arte bem antipáticos, eles que, com dedo levantado, esquecem a ambiguidade de cada singular obra [de Arte], pois aqueles que pretendem coações a partir de análises políticas nada sabem sobre a essência da Arte. Com seus roubos de quadros, suas queimas de livros, seus ataques contra as opiniões não-aceitáveis eles se apresentam semelhantes aqueles da Inquisição. Sem meios termos a Ideologia irrompia numa área que até poderia ser unida a ela, mas que [a Arte] devia se fechar se ela [a Ideologia] exigia subordinação. Marx e Engels sabiam disso, e também Lênin nunca se aproveitou da posição dele para impor seus pontos de vista sobre a Arte. Eles eram, no sentido que do que eles conceituavam Beleza, uns tradicionalistas. A compreensão que eles tinham de Arte era originada a partir de escolas burguesas. Porém eles percebiam os valores a partir das obras que se relacionavam com o progresso social, e que aplainava o caminho da Arte na propriedade em comum. Eram, antes de tudo, os mecanismos de opressão esmagados através da Revolução, mas a Arte não apenas ficaria intacta, mas sim, com sua harmonia e grandeza, em geral, antes de tudo, poderia trazer plena importância. Eles nada defendiam de revoluções ao modo blanquista, proudhoniano, bakuniano, e assim eram contra o radicalismo extremo, a retórica vanguardista, assim eles preferiam os inquietos espíritos dos clássicos consagrados, tais como Hölderlin, Novalis, Kleist ou Büchner, os épicos franceses eram, para eles, mais preferidos que Rimbaud, Lautréamont, Verlaine, Baudelaire, enquanto eles permaneciam ao lado das sinfonias melodiosas, e a música atonal devia ser um sofrimento para eles. Lênin considerava as obras de pinturas contemporâneas como uma afronta à natureza, ele se irritava quanto a isso que seu não sem distúrbios seriam atingidos através do tumulto da Revolução, porém ele queria também para a florescente Arte no Estado Proletário o simétrico e o melódico em vez da dissolução da anatomia, da confusão dos gritos, sirenes de fábricas e turbinas, assim devia ser sua pretensão sobre o partidarismo, porém a trazer uma face, que cada artista haveria de reinventar. O que ele, enquanto autoridade, entendia sob partidarismo era, de modo ético, o que concedia da Arte enquanto uma vitalidade, porém que junto a ele havia sido generoso, haveria de ser com seu sucessor [Stálin] um tanto baixo e mesquinho, onde o padronizado venceria sobre a espontaneidade, o metódico sobre o que se desenvolvia livremente. Quando agora, ao fazermos perguntas durante as discussões, os mestres professores recomendavam o estudo da Poesia e da Arte dos séculos passados, quando eles elogiavam Balzac, Stendhal e Goethe, Rembrandt, Bach e Shakespeare pela maturidade e conhecimento humano, pela prudência e cosmovisões [perspectivas de mundo, Weltperspektiven], quando eles viam exemplificados nos patriarcas e senhores feudais, nos aristocratas, damas da côrte e reis, os conflitos atemporais de modo humanista, por que não poderiam as obras de contempladores burgueses-tardios e experimentadores mais informativos despertar o nosso interesse? Não tinham Marx, Engels, Luxemburg, Lênin se inspirado nos pensamentos que manifestações culturais nem sempre eram devidas às condições materiais da época, mas sim frequentemente se apresentavam em contraste a elas, que os artistas com astúcia, desafio e ironia rompiam as limitações e condições das relações de produção e, com novos conhecimentos, contribuíam para a mudança de consciência. A Arte possuía também, junto a ele, um determinado caráter de classe, uma qualidade, com a qual eram considerados os processos sociais, econômicos e políticos, que determinavam a nossa vida, pois a Arte se encontrava frequentemente num limiar, a partir do qual o ser social seria transformado, e mesmo esta qualidade era bem o que fazia confusas as Ideologias. Elas não gostariam de seguir sugestões, enquanto a Arte seria uma constante força disponível em toda parte a permitir efetivar uma renovação, enquanto ao contrário elas [as Ideologias] exigiam dos meios artísticos o mesmo disciplinamento, que para eles, os políticos, era necessário. Quando eles ficavam tutelando, interferindo e disciplinando, era de certo modo difícil de criticar, pois sempre se diziam ligados às melhores intenções. A Arte socialista devia ser purificada de toda a brutalização nos negócios culturais capitalistas, e eliminar em toda medida, a glorificação da guerra, do poderio sádico, do racismo, e devia ser aceito apenas o que foi por complexa avaliação de onde ficava o limite entre o combate da Reação e a liberdade de expressão. Nós não concordávamos com o ponto de vista de que era o resto do preço que se devia ser pago pela liberdade de escolha, nós condenávamos o lixo que se despejava diariamente a partir das cloacas da mídia de massa sobre a população, que porém pertencia à Literatura, às Artes plásticas, e não devia experimentar qualquer direcionamento. Acontecia que o nosso programa educacional não era apenas contrário aos obstáculos da sociedade de classes, mas também em conflito com o princípio de uma visão cultural socialista, que sancionava os mestres do passado e excomungava os pioneiros do século vinte. Nós insistíamos em Joyce, Kafka, Schönberg e Stravinski, Klee e Picasso pertenciam à mesma fileira na qual se encontrava Dante, autor de Inferno, obra com a qual nos ocupávamos desde algum tempo.






[pausa]







em breve o bloco 7...


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links




sobre Albrecht Dürer
http://pt.wikipedia.org/wiki/Albrecht_D%C3%BCrer
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mais sobre Hölderlin, Novalis, Kleist,Büchner
http://pt.wikipedia.org/wiki/Friedrich_H%C3%B6lderlin
http://pt.wikipedia.org/wiki/Novalis
http://pt.wikipedia.org/wiki/Kleist
http://es.wikipedia.org/wiki/Georg_B%C3%BCchner

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mais sobre Rimbaud, Lautréamont, Verlaine, Baudelaire
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rimbaud
http://pt.wikipedia.org/wiki/Conde_de_Lautr%C3%A9amont
http://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Verlaine
http://pt.wikipedia.org/wiki/Baudelaire
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mais sobre Balzac, Stendhal, Goethe,
http://pt.wikipedia.org/wiki/Balzac
http://pt.wikipedia.org/wiki/Stendhal
http://pt.wikipedia.org/wiki/Goethe

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mais sobre Rembrandt, Bach, Shakespeare
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rembrandt
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bach
http://pt.wikipedia.org/wiki/Shakespeare

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mais sobre Joyce, Kafka, Schönberg
http://pt.wikipedia.org/wiki/James_Joyce
http://pt.wikipedia.org/wiki/Kafka
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sch%C3%B6nberg
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mais sobre Stravinski, Klee e Picasso
http://pt.wikipedia.org/wiki/Stravinsky
http://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Klee
http://pt.wikipedia.org/wiki/Picasso

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mais sobre Dante, Inferno
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dante_Alighieri
http://pt.wikipedia.org/wiki/Divina_Com%C3%A9dia


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LdeM


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sábado, 16 de abril de 2011

Volume I - bloco 6 (1:2)





Estética da Resistência



Peter Weiss




bl. 6


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Somente dois mil anos após Aristonikos foi bem-sucedida a Revolução. O líder da revolta de Pérgamo queria nomear Heliopoliten [cidade do sol] o seu novo Estado, de acordo com o sol, o símbolo da justiça. Mas o que aconteceu foram as correntes de escravidão ou valas-comuns. Aristonikos foi lançado num fundo de navio de um triremo e conduzido para Roma. Seu sonho de um movimento de independência findou no Fórum, onde ele, preso num bloco, foi observado com desdém e cuspido. Enquanto ele morria miseravelmente, ele via ao seu redor os suntuosos templos dos dominadores. Dois mil anos de escravidão se passaram, através dos estágios antigo, feudal e burguês, a História tinha, como se diz, acumulado camada sobre camada, a alcançar progresso através da constante opressão das massas populares, cada melhoria jazia arruinada por uma eclosão de desespero, porém o sistema de dominação permanecia o mesmo, o avanço dos servos, dos escravizados, dos assalariados eram sempre combatido com novas armas, e quanto maior era o ímpeto da legítima defesa, tanto mais completos foram os golpes-de-extermínio. Por dois mil anos se alongou o discurso daqueles que subiram ao poder, expulsando os antecessores, e se instalando em altas posições, até que os próximos chegassem, impacientes, audaciosos, e junto a este contínuo movimento ficavam aqueles ao fundo, aos quais era apenas dito que o tempo deles ainda não havia amadurecido. Ainda não suficientemente forte, nítido, assim se diz, o antagonismo na sociedade, a Revolta insuficientemente organizada, tão pouco esclarecido o povo, demasiadamente marcadas por miséria eram as pessoas das posições mais baixas, como que elas estivessem em condições de exprimir pensamentos de reversão, como que pudessem atingir a Revolução. A História era dada de cima para baixo, assim descrevia de modo convincente que cada revolta podia ser sufocada, e igualmente e evidentemente trocavam-se os que lucram. Tudo se processava por princípios inalteráveis, então eles, que nos davam a imagem do mundo, estavam sempre ao lado daqueles que determinavam as regras do mundo. Os adversários desde o início, para eles a História era uma singular sucessão de horror e clamor, apenas chegavam, sob todas as oligarquias, não até a palavra, e desde rolos de papiros até os ressoantes aparelhos de rádio a verdade era sufocada pela Demagogia. Se tivessem os escribas, aqueles mais instruídos, se unido a classe dos trabalhadores, então as visões de uma vida em igualdade não deveriam esperar até o nosso século para se concretizarem, porém o espírito, a mentalidade, disse Coppi, era agora mesmo inseparável das finanças, e hoje ainda apoderar-se apenas do individual da inteligência solta e lançada para nós. Os escultores na fortaleza, ele queria dizer, estavam de acordo com a supressão das desordens nas vielas, senão eles não teriam estado em condições de conceder tal grandiosidade e acabamento aos frisos. A imagem harmônica dos deuses, com um aspecto de tranquilidade e moderação, que pertencia ao ideal deles. Tivessem ficado na descrição clara dos conflitos sociais dos impuros e pecadores, eles não poderiam continuar o trabalho [de escultura]. O que, contudo, dos movimentos humanos era acolhido no trabalho deles, até de modo não-intencional, graças à habilidade profissional deles, a qual pertencia o observar, o reproduzir de experiências concretas. Antes de tudo devido a consciência das verdadeiras relações de poder geraria a possibilidade de se recusar aos desejos dos clientes. Num tal ritmo eles adiavam, quando eles se resguardavam numa autonomia e isolamento da Arte deles. Eles continuavam fazendo dedicatórias aos príncipes e prelados, aos mecenas especulativos, e carregavam a própria culpa com particularidades afetivas e bem assinaladas, que eles desde fora peneiravam através do filtro dos seus sentidos. O apoio que eles davam acumulava dinheiro, que era a garantia para que se pudesse originar altos desempenhos, pois onde dominava a carência era não pensar em incentivo da Arte, quanto mais inescrupuloso o uso da força, tanto mais profunda a contemplação, quanto mais ampla a espoliação, tanto mais relevante a ornamentação artística. Na posição deles entre as quais, sob as quais viviam, sob os soberanos, cujo poder eles aceitavam, os artistas dedicavam-se ao jogo da materialização [do domínio]. Apenas a partir da representação, que disso eles completavam, com um valor independente, podia se esclarecer a dedicação ao trabalho, a falta de fadiga, enquanto ao redor se desentranhava o Terror, enquanto se repensava a partir de campanhas espontâneas e sem-regras, e de bem-funcionantes máquinas de guerra, enquanto os servos-carrascos aperfeiçoavam suas torturas, os encarceramentos se procediam em série e os mercados de escravos se transformavam em imensos campos de punição, em penitenciárias, nas quais havia a privação de direitos e era abolida a expectativa de libertação. As revoluções francesas fizeram as estruturas oscilarem, e muitos descobriram sua filiação ao elemento proletário, e por sua vez esta percepção fora forçada pelas lutas nas ruas. Porém o que se fazia necessário a isso, disse a mãe de Coppi, para converter o conhecimento em ação. Dois mil anos foram necessários para que nós encontrássemos um esclarecimento científico, porque nós sempre mais próximos das revoltas e rebeliões, tinham sido úteis enquanto passos de uma marcha, porque nunca tivemos sucesso em construir nosso próprio poder. Através de uma olhada em nossa própria história podia isso às vezes se destacar, enquanto sejamos nós os perdedores, enquanto não se modificaram os poderios, as coerções, que se confrontam contra nós, porém o Outubro [de 1917, a Segunda Revolução Russa, ou Revolução Bolchevique] era então a prova do fato de tantos ataques, afinal ter se acumulado uma força que tinha mais peso, impacto, mais do que tudo que nos tinha outrora aprisionado. Nas espiraladas formas do crescimento nós nos vimos às vezes na vizinhança imediata dos derrotados desde os séculos passados, e entendíamos o furor e a letargia deles, porém então era o momento para, ao contrário do desespero, surgir uma nova ação, e nós estávamos ainda próximos aos servos e escravos, e assim nos considerávamos, porém agora numa época na qual nossos objetivos começavam a se realizar. Nós agora nos levantávamos não em grupos, mas enquanto classe, que além disso tínhamos conhecimento do passado não apenas das misérias que constrangeram as gerações anteriores, mas ao contrário também sabíamos da contínua opressão nos países subdesenvolvidos, o que se fazia consciente às colônias. O jugo havia pesado igualmente em todo lugar, não apenas se resumia a um país, mas ao contrário uma responsabilidade que todos carregávamos juntos, numa consciência de solidariedade, a desenvolver o Internacionalismo. Talvez até fizesse um efeito paradoxal, se mencionar a nossa situação, em vista de milhões de trabalhadores em nosso país, que se deixavam desviar das tarefas de sua própria classe. Desde o início também haviam no Socialismo as desuniões e rivalidades, a intolerância e a arrogância, as pessoas, que queriam construir o novo, elas ainda estavam embaraçadas ao que era antigo, cada uma carregava pesado o que herdavam, assim tudo que era vindouro devia ainda ser incompleto, podia-se decifrar propostas apenas a partir de alguns vislumbres. Cursos de instrução política não eram mais realizados, nós podíamos apenas contar com alguns exemplares de impressos ilegais sigilosamente distribuídos ter um parecer sobre a posição, de acordo com a nossa própria avaliação, que nos parecia correta. E assim como se compunha nossa decisão política de fragmentos, dissonâncias, hipóteses, resoluções e lemas, carregados de uma convicção, que vinha de nossas próprias experiências de vida, assim era também a Arte não trazida ao conceito, sem que nós ajuntássemos suas oscilações, rupturas e oposições. E vencido pelos contraditórios, restava apenas como um coto inanimado. Desde o início a expressão da Arte possuía altos e baixos, pois pertenciam a cada época, a mostrar tanto fase dinâmica quanto estática, a expandir em espontaneidade e regressão, em originalidade e imitação, a qualidade de uma estilística raramente a colocar-se contra um algo diferente, o que foi denominado primitivo em relação às esculturas de pedra paleolíticas e as formas corpóreas riscadas na rocha, os monumentos da Ilha da Páscoa, das máscaras africanas e indianas, era assim mais seguro que a Arte atual se mostrasse modelar e nas outras sempre a considerar a força simbólica, sendo as pinturas de cavernas de Altamira e Lascaux com algo mais de Magia, o que foi substituída nas obras expressionistas pelo (estilo) decorativo, os afrescos de Creta, com suas leves tonalidades arejadas, seus contornos desfeitos, eram bem semelhantes a noção de Natureza dos Impressionistas, as estampas floridas de Knossos continham já a art nouveau [Jugendstil], os deslocamentos de aspecto [ou perspectiva] nos relevos egípcios preparavam o Cubismo, enquanto o Surrealismo atualizava as figuras babilônicas e astecas, as esculturas dos Hindus e do Khmer ou formas sumérias e coptas irrompiam na Arte escultural dos modernos. Antiguidade, Idade Média foram denominações para as gavetas categóricas dos teóricos, desviando-se da realidade, ao dizer que tudo na Arte era novo e atual. Desde antes a Arte tinha concebido o Realístico e o Abstrato, o Ritual e o Fantástico, numa época a claridade era alcançada através da superfície plana, para outros se usava o efeito de fundo, a perspectiva central não foi julgada como uma melhoria, mas sim apenas uma expressão alterado do que é ilusório. Sempre pertenceu à Arte o que é conveniente e o que é arbitrário, o que era determinado e o salto até o que era surpreendente, inesperado. Também a História da Arte parecia uma espiral, no decurso da qual sempre nos encontrávamos com o antigo, e todos os elementos constantemente víamos de novo alterados e variados, e quando para nós resultava numa mudança significativa, assim ela ficava nisso, que nós tínhamos redescoberto o valor inicial da Arte, pois ela era, desde que se concedia um pensamento, propriedade de todos, aumentada com os nossos impulsões e reflexões. Tampouco como nós aceitávamos a representação de uma Arte exclusiva, que era criada para Eruditos específicos, poderíamos nos contentar com isso, que era de conceder à classe trabalhadora sobretudo uma editada linguagem artística, uma linguagem que deveria ser fácil, compreensível, sólida e ativa. Para nós, a Arte poderia não ser suficientemente versátil e criativa. [... ]



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Continua...


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trad. Leonardo de Magalhaens


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links sobre Internacionalismo http://pt.wikipedia.org/wiki/Internacional_Socialista . sobre a Arte na Ilha da Páscoa, Creta, Knossos http://pt.wikipedia.org/wiki/Arte_minóica http://pt.wikipedia.org/wiki/Ilha_de_Páscoa . sobre Impressionismo, Cubismo, Surrealismo http://pt.wikipedia.org/wiki/Impressionismo http://pt.wikipedia.org/wiki/Cubismo http://pt.wikipedia.org/wiki/Surrealismo . sobre Jugendstil http://pt.wikipedia.org/wiki/Jugendstil http://pt.wikipedia.org/wiki/Art_Nouveau . Arte Khmer, Copta, Hindu http://es.wikipedia.org/wiki/Arte_copto http://www.exoticindiaart.com/paintings/Hindu/ http://www.canstockphoto.com.br/sculture-de-khmer-arte-em-antigas-pedra-0681936.html

terça-feira, 15 de março de 2011

I / bloco 5 (2/2)





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Por isso ficávamos eu e Coppi junto às imagens do primeiro grande adentrar dos trabalhadores, da vitória deles, da fundação do domínio deles, que enfrentaram sem reservas. Bem diante de nossos olhos estavam as obras, como elas tinham que ser, evidentes, naturais, correspondentes aos eventos, que não vinham mais a partir de cima, onde usualmente a atividade artística tinha seu lugar, ao contrário vinham diretamente a partir de uma série [de experiências] daqueles que tinham consumado as lutas e que queriam aqui novamente ser reconhecidas. Eles seguiam um modo de pintar que conheciam, que não reivindicava adaptação de padrões visuais, já havia os importantes, os fundamentais, no sistema educacional, enquanto que se expusessem primeiramente com novos movimentos estilísticos, para que pudessem entender as descrições dos eventos revolucionários. Um salto fora dado desde aquela época, na qual os trabalhadores se calavam, se fechavam [ensimesmados], contratados, recebiam seus soldos, até o dia em que eles erguiam as próprias ferramentas, faziam funcionar as próprias máquinas. O quadro da realidade fora deixado intacto, porém o Despotismo, que pendia sobre as antigas representações russas da vida popular, fora apagado, as figuras não mais esperavam, como se fossem condenadas, antes com orgulho, uma risada, como antes ninguém vira neles. O fato deste processo revolucionante, porém, disse Heilmann, não nos livra da questão sobre o modo como foi conservada em figura. Também junto às ações fora mesmo ponderado, ele disse, podia transmitir o que era certo e o que era falso, o que arrisca os movimentos mais próximos e o que eles validam. A prudência havia sido a característica da ação violenta. Por isso nós tínhamos de analisar como a energia, o entusiasmo das pessoas seriam transformadas no valor que correspondia ao trabalho manual artístico. Por tanto tempo, uma tal qualidade não seria observável, ficou o objeto apenas um produto secundário a partir do domínio dos procedimentos aparentes. Este tipo de Arte, respondeu Coppi, tinha rompido com todos os critérios anteriores. Eles surgiam diretamente a partir da Realidade. Talvez em antigos sistemas de domínio fossem os trapos e as correntes melhor retratadas, talvez fossem o modelo de composição, o contraste de cores, os efeitos de luz e sombra nas gravuras de prisões até tornar-se perfeição, talvez se reconhecia a partir de relato de pobreza e miséria os novos movimentos artísticos, aqui, porém, algo se expressava, que ainda nunca fora bem-sucedido, o evento no qual o trabalho se processava na própria propriedade. O Realismo nesta situação modificaria, disse Heilmann, compensaria através de uma idealização e heroização, uma atitude ressurgiria, a que teria sido superada pelos realistas da virada do século, por isso, disse ele, assumiria a legitimidade os verdadeiros acontecimentos nos quadros. Apenas com um adiamento de tema, ele acrescentava, estão aqui os pintores de pinturas e alegorias ao trabalho. Com nossa crítica usual, disse Coppi, tais quadros não alcançaria. O triunfar neles é a verdade deles. Para aqueles aos quais a construção do Socialismo é sem importância, tal Arte deve aparecer enquanto mera decoração, e a exuberância enquanto elogio vazio. Lá, porém, onde a marcha até a libertação, que ainda nós mesmos ousávamos, fora conseguida, correspondia à supervisão da Realidade. Nós nos permitíamos a avaliação sobre esta Arte, respondeu Heilmann, pela atenção que leva à admiração, que nos mostrávamos a condição dos trabalhadores. Questões artísticas podem, contudo, não serem tratadas sob razões emocionais e ideológicas. O que devia pertencer para fundamento de nossa cultura, deve suportar a prova. Estes quadros nos incentivam, disse a mãe de Coppi, tal assistência nós precisamos agora, pois que estavam muitos de nós derrotados. Porém Heilmann não abandonou suas objeções. Os quadros mostram bem os desempenhos, as realizações, disse ele, porém eles ocultam os processos contraditórios, nos quais surge o novo [a novidade]. O conteúdo deles não se deixam avaliar enquanto algo independente. Tal qual o pensar da Revolução ainda não era a Revolução, senão primeiramente exigia suas ações, a ideia dos quadros exigia mais após sua realização na forma. Forma e conteúdo aqui não combinavam. Nas gravuras dos processos revolucionários misturam-se um estilo, que é desgastado. Os pintores, que desejam ajudar os vindouras [as futuras gerações], traziam os métodos de um Naturalismo romântico, que se volta, retrocede, ao encontro da época burguesa. O Naturalismo deles, disse Coppi, destruiu tudo o que era bela paisagem aos olhares pequeno burgueses [Augenweide des Spießers], agora mesmo na acusação dele ao antigo e conhecido ele mostrava, tal qual ele se erguia sobre o anterior idílio dos lucros, da exploração. Agora também se poderia, devido a pressa, não agir para alcançar o definitivo, o essencial seja a sugestão à força, à vontade, para defender o já conquistado. Tivéssemos que posicionar em sentido moral estes quadros, e nisso também aceitar o imperfeito, até certo momento o tipo de Arte seria encontrada. Que ficava em completa concordância com a dimensão do já alcançado. O nosso estudo completo, disse Heilmann, explicávamos em vão, se nos conformamos conscientemente a uma artificialidade, a uma pose, quando nós ficamos lá, onde o progresso há tempos fora preferido. Se insinua aqui, disse ele, uma contra-revolução cultural em nosso retrato da sociedade. A hegemonia dos filistinos [Philistertum] se impõe a nós, a corroer nossas ideias, e nós nem percebemos. Ela [a Philistertum] acredita, disse ele, que isso vem daí que muitos ativistas políticos na formação do gosto [estético] deles sejam mantidos entre os plágios e substitutos. Que isso seja compreensível, comparado a uma completa ausência de temas artísticos, a mistura de sentimentalismo, pompa e ouropel na sala de estar do pequeno-burguês podia se apresentar como algo totalmente superior, e muitos, que começaram com isso, a procurar um caminho para a educação, depararam-se com estas abordagens mais próximas, e confundiram a disfarçada miséria com indício de cultura. A luta para uma Arte nossa, disse ele, deve ao mesmo tempo ser uma luta para a superação da tendência ao modo se ser pequeno-burguês. Nós precisamos apenas alcançar um rápido esboço da mão de um Van Gogh para em linhas toscas reconhecer a beleza, para a qual inutilmente se esforçam as colossais pinturas emolduradas em ouro. Eu deixaria também, ele prosseguia, ser válido o otimismo unidimensional, quando ele [o otimismo] não colocava exigência à absoluta vigência, a um predomínio, que golpeava em separado cada usual afirmação. Ele lembrava a outro, que isso tinha dado, antes de tudo à área do cinema, onde nós tínhamos recebido, no ano antes da derrota, ainda impressões que haviam sido decisivas para a formação de nossa convicção. Nos livros de Gorki, Ostrovski, Gladkov, Babel, os caráteres nunca foram um padrão, e na pintura e arquitetura eram durante anos foram projetadas para as possibilidades construtivas de Outubro, que concordavam com a essência da Revolução. Por que ocorria agora, perguntou Heilmann, a volta até antes do alcançado, por que uma Arte, que era revolucionária, foi renegada e esquecida, por que foram derrubadas as obras que emprestaram voz ao experimentar da época em que surgiram, porque a vida, que elas envolviam, se alterou desde a base, por que estas ousadas e arrebatadas alegorias do recomeço foram substituídas por pré-fabricadas, por que foi adotada uma restrita limitação da capacidade de percepção, quando um Maiakovski, Blok, Bedny, Iessienin e Bieli, um Malevich, Lissitzki, Tatlin, Vachtangov, Tairov, Eisenstein ou Vertov tinham encontrado a linguagem expressiva que era idêntica com uma nova consciência universal. O que agitava os Expressionistas, os Cubistas durante as décadas antes de Outubro [a Revolução Russa Bolchevique], disse Coppi, sucederam-se num mundo da Forma, que era apenas familiar aos estudados. Era um revolucionar da Arte, uma revolta contra as normas. O desassossego na sociedade, o poder latente, o impulso rumo a uma transformação radical foram bem expressadas, porém os trabalhadores e soldados, em dezessete de novembro, nunca tinham sabido destas metáforas artísticas. Os Dadaístas e os Futuristas em Moscou continuavam as transformações a um nível, que aos combatentes não eram familiares. A Arte devia agora então pertencer a eles. Porém o que se aproximava disso, tinha origem nos países da Europa Ocidental, de onde os representantes da Inteligência tinham recebido suas impressões, que não era propriedade deles, tornava-se para eles como algo oferecido, um bem [cultural] dos emigrantes, que fora enxertado por letrados. Isso ajudou-os pouco, quando isso significava que a Revolução das formas agora devia ser unida com a transformação revolucionária de toda a vida, o que a Vanguarda da Literatura e da Pintura até aqui estilizada, deveria permanecer incompreensível aos trabalhadores russos. Nos porões deles não se penduravam quadros, lá havia no máximo uma estampa colorida tirada de uma revista, iguais as que tínhamos. O que era Modernista, o Abstrato devia continuar privilégio daqueles que se ocupavam com problemas artísticos, daí não se formar uma Arte proletária, mesmo quando os autores pretendiam expressar a autêntica fala de um povo revolucionário. Neste momento de transição surgiu a questão sobre o que seria melhor, o que dava alimento ao intelecto mais desenvolvido, ou o que ajudaria mais ao principiante. A esta consideração pertencia a relação de contraste entre a diretriz nacional e a internacional. Tivesse a Revolução se propagado, então também a Arte conseguiria uma versatilidade revolucionária. O provisório isolamento da Revolução, a necessidade de continuar a luta sozinha, para preservar e defender a si própria, se fortificar diante do inimigo externo opressor, forçava também a Arte a uma posição na qual seguia disso que cada Obra [de arte] seria utilizada como arma social, cada declaração se adequar à imediata utilidade na defesa e produção. Assim foi tudo rejeitado, o que demonstrava um sinal de complicações, conflitos, nem o Estado soviético nem nós mesmos seríamos beneficiados com isso. Quebrado, dissolvido, fermentado, sempre a sofrer com mais elementos, igual a nossa Arte, lá os quadros não poderiam estar, lá havia nenhum lugar para contemplação subjetiva, sempre foi exigido o objetivo, o que se deixava inspeccionar, criticar, tal qual um motor, uma construção de edifício. Os trabalhadores nas siderúrgicas, nas fábricas de máquinas, nos estaleiros, nos colcozes viam-se representados nestes quadros. O ambiente deles, o processo da atividade deles, o manejo das ferramentas era corretamente reproduzido. Disso procedia [A Arte surgia a partir da Realidade]. O retratado [nos quadros] funcionava, era parte de um plano social e técnico. Esta Arte, disse Coppi, tinha lugar junto aos grupos industriais e represas, junto a eletrificação, a reforma agrária e a construção de universidades para trabalhadores. A Arte é prática, funcional, do mesmo modo que escolas e organizações políticas. À Arte se colocavam exigências práticas as quais ela não correspondia, e o que se imaginava singular, ao contrário, era o que a maioria esperava dela. E, porém, replicou Heilmann, esta Arte pode não ser o suficiente para os trabalhadores. Eles desejavam colocá-la [a Arte] ainda bem mais no centro dos acontecimentos, eles a menosprezavam porém, quando ela concedia-lhes apenas um aspecto da realidade. Ele deve perceber que temas definidos vai privá-lo da própria decisão. Junto ao sentido com que a cultura socialista foi medida, avaliada, aquele que tinha começado a ler, a estudar, que desejava se expressar, em quadros, em escritos, o que a ele era importante, até mesmo decisivo, acabou sendo impedido. Ele via situações reproduzidas exatamente em fotografias, porém em vez de proximidade com a Arte o que se estabelecia era distância, estranheza, porque o Material não está trabalhado, porque isso nada conteria enquanto formalidades. Assim exatamente como fora gravado o detalhe, isso mantinha enquanto cópia, ilusão. Desde séculos a Arte se esforçava por isso, para superar tal imitação. Por que, perguntava ele, os Impressionistas, os Cubistas e os Futuristas desmontaram então o que se apresentava os olhos, porém não para fugir do concebido, senão para o que ficava fora do alcance, impalpável, a prover uma nova estabilidade. Desde que as fotografias fizeram evidente o âmbito do Autêntico, Documentado para a nossa concepção de história, desde que a luz, que partia dos objetos, pôde ser diretamente recolhida e conservada, então a pintura mostrou-se aí menos competente para simular a Realidade através de uma ativa transferência de um determinado detalhe dimensional. Sempre a Arte nos convencera apenas quando com suas bases pintadas enchia as folhas escritas com uma vida própria. Quando uma precaução foi tomada para regular a Arte, assim apenas se confirmava o capricho que era inerente a ela. Quanto mais fortes as suas relações, maior o medo diante do perigo de seu poder explosivo. Desta noção não é de toda a suspeita de que nem tudo que se considerava enquanto exemplar, concordava com a realidade. Ele é então o senhor em toda parte, do que ele tinha conquistado, os pensantes se perguntariam, quando ele distinguia a reduzida liberdade de movimento, que a atividade artística é medida, avaliada. Desconfiado, disse ele, deve ser a ele também o ícone, que surgia em emissão de dez mil cópias sobre o completo trabalho artístico, sempre de novo apontando ao mais alto, sublime, que bigodudo e paternal [Stálin?] vigiava onisciente a totalidade. Quando os trabalhadores russos aos domingos, disse a mãe de Coppi, andavam em grupos nas exposições de quadros, nos museus, que são propriedade deles, então eles davam um olhar concentrado a própria história e também aos conflitos durante o período de combate, de desmandos hostis. O mais importante para eles é que resistiram. Nunca ela podia esquecer, ela disse, como ela, certa vez, na Casa Liebknecht, tinha visto um filme sobre a visita de camponeses coletivizados turcomenos e quirquizes na Galeria Tretyakov, como a franqueza e a lucidez nas faces, a satisfação e o assombro refletiam o ilustrado. Antes de tudo na variedade, replicou Heilmann, com que a Arte representa/retrata as experiências humanas, é reconhecer a vitalidade da terra de origem deles, e com intensidade se mostravam as restrições deles também as repressões, que prevaleciam no país [URSS]. Maiakóvski, ele disse, com seu suicídio havia antecipado o desastre que se lançara sobre o Estado soviético. Nós tínhamos sabido através de relatos e testemunhos sobre atos de sabotagem e tentativas de separação, planos de golpe e conspirações para a morte do líder do Partido. Aqueles que duas décadas antes realizaram a Revolução e fundaram o Estado soviético eram agora chamados de peste, insetos, parasitas, subhumanos. Eles, os companheiros de Lênin, queriam eliminar o Socialismo, desfazer a vida industrializada, vender grande parte do país aos Fascistas e reconduzir ao Capitalismo. Porém, com isso, indiretamente, disse Heilmann, houve uma péssima lembrança contra Lênin, então ele, com espírito crítico, com o conhecimento de futuro que sempre nos baseamos, tinha procurado colaboradores e confidentes que, quando eles então foram desmascarados enquanto criminosos, enquanto inimigos do povo, enquanto cães sarnentos, porém desde o início tiveram a intenção de trair de qualquer modo, pretendiam expor ao fracasso tudo o que fora conseguido. Por que Lênin não descobrira a gentinha, perguntou ele, que entre nós era conhecida como Guarda Bolchevique, por que ficou apenas um único restante, que devia ser digno de assumir a sucessão de Lênin? A situação quando do último ano de vida de Lênin foi diversa do momento de sua morte, disse Coppi. A força de união, que possibilitava uma luta em comum ao seu lado, partia da personalidade de Lênin, a desenvolver as meritórias qualidades deles. Ele [Lênin] via também as fraquezas deles, prevenindo sempre sobre as lutas para alcançar o poder, com desuniões, que devia ficar à espreita, onde um semelhante congregar de cabeças individualistas se ocupava com a construção de algo totalmente novo. Os Internacionalistas, que passaram muitos anos com Lênin, no exílio, que se orientavam no mundo exterior, foram golpeados juntos com aqueles que permaneceram no país, que se entrincheiraram meio ao povo. O Secretário-Geral, cuja rudeza, cuja falta de tolerância, Lênin sabia criticar, era na situação decisiva em que as Revoluções no oeste não ocorreram, lá todas as forças foram usadas para a conservação do isolado Estado socialista, tornaram-se à forma, na qual se juntava todos unidos e concentrados, quando ele tinha mantido afastados os rancores, rivalidades e divisões, que quando da morte de Lênin vieram à tona, ele que mantinha a calma e o controle, de modo modesto, a atuar com seu julgamento quando irrompia o conflito para decidir a sucessão. A História, disse Coppi, mostraria se ele era egoísta ou reservara o melhor do povo, porém, as autorizações foram transmitidas por ele desde o dia do Partido, porque ninguém parecia melhor qualificado, para assegurar a unidade do Partido num momento de perigo fatal. Devido a seu íntimo rancor, o Fascismo com sua astúcia fazia então de tudo, para mobilizar todas as forças impalpáveis contra o Estado dos trabalhadores, e isso era possível quando no país socialista se isolavam grupos, que se aproveitavam da falta de visão em comum, por isso podiam ser vencidos, ao se colocar contra a liderança, e legitimamente se fosse necessário, a eliminar todos aqueles que trabalhavam contra a obediência às diretrizes distribuídas. Acontecera assim, porém, replicou Heilmann, não apenas desde a administração estatal, a economia, os espiões e terroristas de caráter militar, envolvidos em altas traições, também muitos artistas, que ficaram famosos com suas experiências revolucionárias, foram subitamente declarados enquanto gentinha, decadentes, contaminados de elementos burgueses, e livros foram triturados, filmes destruídos, teatros fechados, alguns, como Babel, Mandelstam, Meyerhold foram presos, eram talvez logo fuzilados, liquidados. Estas palavras, disse ele, as palavras da difamação, diante das quais nós aqui, junto à morte e ao roubo, devemos tampar os ouvidos, devemos aceitar, quando eles chegam ao nosso lado, e o pesquisar artístico, devemos isso prover com representações de tabus, com sinais atávicos e irracionais e a nos permitir expressar, isso tudo seja legítimo e prático, apenas porque nos aproximávamos [também emotivamente] do país [dos trabalhadores, a dita URSS], em tais ordens que serão entregues, porque nada devia ameaçar a este país, porque ele devia ficar preservado, devia ser defendido, não apenas através de nossas ações, como também através de pensamentos contínuos. Como isso podia acontecer, perguntou ele, que tal deformação, tal desprezo se intrometesse nele, o que para nós era certeza, e como devemos criar a Arte, além disso para defendê-lo, este [o país, URSS] que é abalado por tal envenenamento. Na cozinha apertada, na qual o pai de Coppi ia e vinha, a sua sombra se encolhia mais adiante, enquanto crescia atrás, na parede junto a porta, na parede da janela, em nada diferente disso podíamos pensar do que sobre os delitos dos acusados, os quais sofreram um ano de processo, com cada detalhe sendo comprovado, porém haviam outros autores tais como Feuchtwanger, Heinrich Mann, Lukács, Rolland e Barbusse, Aragon, Brecht e Shaw davam crédito e se deixavam convencer pelas provas. Nenhuma dúvida devia surgir quanto a legitimidade dos processos, agora, pois havia sido concluído o Pacto Antikomintern entre Alemanha e Japão, pois os exércitos chineses se retiravam de Xangai, Nanking era bombardeada e Pequim (Beijing) era ameaçada, pois após a conquista da Etiópia estava iminente a adesão da Itália ao Pacto, pois os alemães e os italianos, ajudados pela política de não-intervenção da França e da Inglaterra, reforçaram a ajuda deles ao [general] Franco, e pois sempre além do Grande Reich alemão, em exigências por colônias, a expressar o impulso rumo ao leste [Drang nach Osten]. É assim, disse Heilmann, que nós somos colocados diante dos acontecimentos, que nós temos aceitar calados a intervir no que é proibido, que sozinhos em nossa curiosidade, que pertence a Dialética, subitamente devia ser suficiente para nos entregar à condenação. Justo porque nós este país [a URSS] comparávamos enquanto exemplar para o mundo, disse ele, devo me perguntar sobre o que lá acontecia, e que se antes tivesse desistido, depois de procurar uma compreensão dos contextos históricos, assim eu teria ficado no outro lado. É assunto do povo soviético, disse a mãe de Coppi, tomar posição diante e neste momento esclarecer tudo para nós. Então esperávamos que se deixasse endireitar tal país gigantesco, do tamanho de continente, com seus duzentos milhões de habitantes e que logo devia se encontrar melhor para todos após tantas privações. O que tínhamos então realizado, junto a nós, tendo deixado-os sozinhos, então quando iniciaram, temos tido paciência, em vez de iniciarmos, para que eles também eles nos exortassem. Apenas neles nos confiávamos, pois que eles estão à nossa frente. Porém, para o pai de Coppi, talvez neste momento fosse insuportável o aperto da cozinha, ele precisasse tomar ar, ele desligou a lâmpada, nós o ouvíamos se arrastar através do escuro, como se tivesse quebrado os vidros da janela que tivesse sido trancada, como se tivesse arranhado as unhas na parede, como se não houvesse janela, deixando os papéis caírem com ruído, se ele abrisse bruscamente a janela, então o frio invadiria e o cheiro da poeira úmida, e se ampliaria o nosso campo de visão rumo a algumas fachadas escuro-cinzentas, com quadrados escuros, onde sobre elas moviam-se nuvens refletidas.








fim do bl. 5





LdeM




autores russos citados

http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1ximo_Gorki
http://es.wikipedia.org/wiki/Nikol%C3%A1i_Ostrovski
http://en.wikipedia.org/wiki/Fyodor_Gladkov
http://pt.wikipedia.org/wiki/Isaac_Babel

http://pt.wikipedia.org/wiki/Vladimir_Mayakovsky
http://pt.wikipedia.org/wiki/Aleksandr_Blok
http://en.wikipedia.org/wiki/Demyan_Bedny
http://pt.wikipedia.org/wiki/Serguei_Iessienin
http://pt.wikipedia.org/wiki/Andrei_Bi%C3%A9li

pintores russos

http://pt.wikipedia.org/wiki/Kazimir_Malevich
http://pt.wikipedia.org/wiki/El_Lissitzky
http://pt.wikipedia.org/wiki/Vladimir_Tatlin

nomes importantes no teatro / cinema

http://pt.wikipedia.org/wiki/Yevgeny_Vakhtangov
http://en.wikipedia.org/wiki/Alexander_Tairov
http://pt.wikipedia.org/wiki/Serguei_Eisenstein
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dziga_Vertov

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sábado, 26 de fevereiro de 2011

trad. do I / bloco 5 (1/2)




I

[bl.5]

Inseparável da conivência econômica estava a supremacia do saber. À posse pertencia a avareza, e os privilegiados tentaram fazer demorado o quanto possível o caminho aos pobres até a educação. Antes que nós pudéssemos ter a visão geral nas relações dos conhecimentos essenciais produzidos, que poderiam não conservar os privilégios dos dominadores. Sempre de novo éramos repelidos, por que os nossos recursos de pensar, de combinar e concluir ainda não estavam bastante desenvolvidos. O começo de uma mudança desta situação residia no bom senso, que condenava a força principal das classes superiores contra nossa sede de conhecimento. Desde que era isso o mais importante, conquistar para nós mesmos uma instrução, alguma prática em alguma área de estudo, ao usarmos todos os meios, de astúcia e de auto-superação. Desde o início, o nosso estudar era um ato de insubordinar. Assim ajuntávamos material para a nossa tarefa e para a preparação de uma conquista (tomada de poder). Raramente por acaso, em geral porque mantínhamos o conceituar, mais próximos de algum tema, lutando sempre contra a debilidade e as perspectivas íntimas, e contra o constante argumento de que após um dia de trabalho não seríamos capazes de um esforço de auto-aprendizado. Devíamos liberar a mente ao expulsar os pensamentos entorpecidos e a monotonia, ao ter uma maior mobilidade para um novo aprender, assim aconteceu conosco, contudo, que nem o emprego assalariado conseguiu rebaixar ou fazer desprezar. Com nossa recusa ao ponto-de-vista de que nosso desempenho peculiar fosse distinto, separado tanto da problemática artística quanto científica, mas associada à vontade, a manter um trabalho que não nos pertencia. Foi quando o pai de Coppi entrou na cozinha, num terno escuro, brilhante de tanto escovado, com camisa sem colarinho, a boina ampla sobre a testa empurrada para trás, com uma pasta poída sob o braço, e ficou de pé junto a mesa, percebíamos todos, como o dia pairava sobre nós e qual lacuna devia ser superada, antes que a força da imaginação, a pressão intelectual ou o sossego meditativo fossem exigidas. Às vezes ficávamos irritados ao renunciar a leitura de um livro, a visita a uma galeria de Arte, a uma sala de concerto, a um teatro, todos associados, para nós, a suor e preocupações adicionais. Enquanto isso as tentativas de escapar à falta de expressão, às funções de nossa existência, o que encontramos foram amostras que podiam medir o emudecer superado e os passos rumo a um âmbito cultural. A nossa visão sobre uma Cultura raramente concordava com aquela de um imenso reservatório de bens, mercadorias, invenções e inspirações reprimidas. Enquanto a falta de bens nos deixa amedrontados diante do acúmulo [de Cultura], em plena reverência, até isso era claro para nós, que devíamos preencher isso [a lacuna entre carência e saber] com a nossa própria avaliação, com o conceitos que poderiam ser úteis, quando expressado acima de nossas condições de vida bem como das dificuldades e estranhezas de nosso processo de pensar. O tema era associado a Lunatscharski, Tretyakov, Trotski, cujos livros nós conhecíamos, sabíamos também devido à iniciativa dos trabalhadores capazes de escrever assim dedicados à educação, enquanto o século vinte começava, e as declarações de Marx, Engels, Lênin sobre questões culturais nós tínhamos discutido em círculos de estudos. Isto era bem instrutivo, dava inspiração, podiam indicar o futuro, porém não correspondiam à totalidade, aquela que queríamos, pois ainda manifestava o tradicional, algo não renunciado nos limites das dimensões do mundo do poder. Também nós, assim apreendíamos o progressista, moderno ao lado do que se denominava Cultura, ao ser benefício, quando reconhecíamos a grandeza e a importância de muitas obras, nós começávamos a entender como se refletiam os estratos sociais, os paradoxos e conflitos nos testemunhos culturais das épocas, porém ainda não conseguíamos com isso uma imagem, que nos incluísse, que devia expressar todos nós, era mais um acúmulo de formas e estilos emprestados. O que também sempre nós líamos no que estava pronto, porém, podíamos apenas confrontar com a nossa exclusão, e quando descobríamos os clássicos e imponentes, corríamos o perigo de afastar de nossa classe. Com a utilização de novos conceitos, novas associações nós despertávamos a desconfiança de que assim haviam sido violentados com a predominância da ideologia burguesa, que não considerava acesso aos níveis intelectuais. Nisso nós precisávamos apenas olhar nas faces deles, para ser relembrada uma marca, um sinal, que ficou oculto neles. Antes de trinta e três [1933], quando eu visitava, às vezes, o meu pai durante o intervalo do meio-dia na empresa, podia acontecer que um representante de uma associação de estudo fizesse uma palestra na cantina ou lesse poesias, enquanto era nítida para mim a impossibilidade de se estabelecer uma ligação com as regiões intelectuais. Lá sentavam-se os trabalhadores em suas latas de metal, suas garrafas térmicas, seus sanduíches enrolados em papéis gordurosos, meio surdos de tanto ruído dos metais e martelos-de-rebite, permaneciam uns vinte minutos à disposição, mas sempre a desviarem as faces do locutor, e mantinham-se graves inclinados sobre as mesas, o que não era culpa apenas da pressa, com a qual deviam comer, mas também por causa do constrangimento, porque isso era oferecido a eles com boas intenções, mas sabiam que precisam começar com o mais simples. Quando eles aplaudiam, em seguida, por alguns instantes, nas oficinas, assim faziam por cortesia, e o artista recebia algo deles, porém, eles próprios continuavam vazios, saíam de mãos vazias. Está relacionado com isso, que eu entendo logo então, que a nós o que vinha de fora ou de cima, nada podia impressionar, enquanto ficávamos retidos a cada tentativa, a oferecer-nos uma perspectiva, que podia ser penosa, não queríamos nenhum racionamento, para nós nenhum dividido trabalho-por-tarefas, ao contrário, (queríamos) o todo, e este total não devia ser o tradicional, a ser produzido primeiro. O que então precisávamos eram conselhos, explicações de âmbito político, planos de organização, e estes podiam apenas vir numa sequência própria. Assim foi que levou-nos a consideração prática a tal configuração, que se chamava Cultura e aderia às práticas das vozes à procura, com os gestos de experiências ao longo de gerações, junto aos princípios de orgulho e de dignidade. Nosso caminho para fora da repressão intelectual era um [caminho] político. Tudo o que se conseguia da aquisição de poesias, romances, pinturas, esculturas, peças musicais, filmes ou dramas, devia primeiramente ser analisado politicamente. Era um apalpar ao redor, ainda não sabíamos para que o serviria o que descobríamos, mas entendíamos apenas que devia ser conseguido por nós mesmos. O pai de Coppi retirou da pasta, que ele havia colocado sobre a mesa, junto ao papel amarrotado, garrafa, dois tabletes de manteiga, tudo lavado na bacia, onde desnudado, da cintura para cima, o pai de Coppi esfregava o rosto e pescoço, para depois vestir um casaco de lã, com fileiras de cabeça de cervos bordadas, e novamente falávamos de coisas, que mantínhamos junto a nós, para nos ajudar na compreensão, objetivo de nossos esforços. À tarde meus braços têm dois metros, disse o pai de Coppi, a arrastar as mãos ao chão. Nesta imagem esboçava-se tudo o que crescemos ao achegarmos até a Literatura e a Arte. Na fábrica, junto a rampa de carregamento, o pai de Coppi, passava oito horas, a empurrar, puxar e carregar caixas, onde seguiam empacotados os componentes de peças de artilharia, de canhões, enquanto a mãe de Coppi tinha produzido, nas oficinas da Telefunken, peças de equipamento para manobras de aviões de guerra. Cada peça entregue, cada embalagem era acompanhada por um controlador, que registrava o ritmo dos trabalhadores, a responsabilidade de cada um. Um parafuso afrouxado, alguns grãozinhos de areia na engrenagem, um fio enrolado, falho ou a faltar, estes eram coisas concretas, que competiam com as leituras, a contemplação de pinturas. Perguntávamos se os temas dos livros que líamos podiam se transformar em coisas práticas, em nossas experiências, se eles descreviam pessoas que viviam próximas de nós, se mostravam atitude, e ofereciam tentativas de solução. Haviam obras que não tinham relação alguma com os nossos padrões [de vida], e que, exatamente por serem ignorados, despertavam o nosso interesse. Geralmente examinávamos texto ou imagem, sejam lançados em revista ou expostos em museus, se poderiam ser úteis na luta política, e aceitos enquanto tomando partido [situando-se na luta]. Então novamente abríamos outra [obra], onde não se reconhecia imediata eficácia política, mas interessante, pois parecia ter outras importantes qualidades. Eram livros e quadros deste tipo, além disso eram considerados, pelo novo soberano ditador [o Führer], como obras degeneradas, sendo então retiradas da coleção pública,o que ainda mais fortalecia a nossa vontade de incluí-las no registro dos atos de sabotagem e manifestações revolucionárias. O Surrealismo logo tinha nos impressionado, quando Hodann, no salão Haeckel, terminava a sessão de numerosas perguntas sobre a origem das Neuroses, Depressões, Obsessões, atentos fazíamos conexões entre condições sociais e motivos das doenças, dos impulsos oníricos [Traumimpulsen], e cujos efeitos se esclareciam na Arte, que seguia um solto fluxo de inspiração. Um tal modo de expressão que ignorava a lógica e aceitava coisas estranhas, alarmantes, rumo às causas do próprio comportamento, devia corresponder a nossa própria busca por auto-conhecimento. Também éramos, sim, suspeitos diante do determinado, do estabelecido, e víamos sob a capa das legalidades as manipulações, às quais muitos de nós sucumbiram. Também o Dadaísmo mostrava algo de nossas tendências, ele tinha vomitado nas delicadas salas-de-estar, ele tinha derrubado os bustos de gesso de seus pedestais e rasgado as grinaldas do auto-elogio burguês, e com isso concordávamos, zombar das homenagens, fazer cômico o Sagrado, mesmo que não fosse de nosso interesse o grito a exigir a total destruição da Arte, pois era um lema para quem estava farto de Arte e Cultura, enquanto ainda queríamos manter são e salvo as instituições da cultura, ao vermos ali o disponível e suficiente para a nossa vontade de aprender. Víamos nos quadros de Max Ernst, Klee, Kandinsky, Schwitter, Dali, Magritte as dissoluções de preconceitos visuais, um meio-faiscante clarear de fermentação e putrefação, pânico e reviravolta, distinguíamos onde isso se tratava de ataques contra o desgastado e decadente, e onde seguia apenas para faltas de respeito, porém o derradeiro fim do mercado ficava à vontade. Discutíamos o antagonismo nas opiniões, que isso era, por um lado, previsto, a presença a descrever a complexidade, ruptura e confusão delas, por outro lado, relatava a decadência imparcial e objetivamente, como [faziam] Dix e Grosz, que aqui intensamente mediam e desmontavam a realidade disponível, como [fazia] Feininger, e a deixaram aquecida em chamas, como Nolde, Kokoschka ou Beckmann. Incitados pelas proibições, pelos tantos decretos, sobre o que entender por Arte, e pelas medidas de censura, que deixavam entender quais corroentes habilidades concedia o prevalecer da pintura e da literatura, estávamos sempre em busca de livros e periódicos, nos quais os testemunhos dos inovadores eram conservados, que então estavam às ocultas no trabalho ou que os pais tinham deixado. Quando nós considerávamos se a cifrada linguagem poética, os códigos visuais e símbolos mágicos seriam adequados para a descrição dos obscuros, aparentemente imprudentes acontecimentos ou se em vista do pouco-compreensível seria necessária um versão mais evidente, então depois de nós, chegava Heilmann, ao voltar da escola noturna, junto a estação de metrô Gleisdreieck, tinha lido em voz a sua tradução de “Uma Temporada no Inverno”. Está certo a ambos, pensava Heilmann, tanto o esmagar, que dilacerava o chão sob os nossos pés, quanto o esforço para estabelecer um chão firme para o exame de fatos simples. A maioria está bem distante de tais questões, disse o pai de Coppi, mesmo que eles pudessem ver em si mesmas a necessidade, as palavras de vocês voariam além deles. Seria um zunir nos ouvidos, que não seria transpassado por palavras, que vinham de um palco, dos sons das cordas e das flautas-cornetas no estrado, via-se que era impossível sentar numa cadeira dobrável com as costas doloridas. O mover-se dos braços no escuro do fraque, e o que ali diante das teclas golpeadas derramava-se de um aberto piano de cauda, seria uma tortura como a de um anel de ferro em torno da cabeça. Sempre mais deveria, antes de se levantarem com suas bocas pintadas, os gestos ambíguos, na abundância de cores que brilhava neles, meio às propriedades artísticas, primeiramente se permitir as necessidades do sono. Até a beira do suportável eles ficavam suspensos firmes entre as cintas da banca de trabalho, onde o piso de concreto, com fria dureza, golpeava os pés constantemente. Quando eles, os operários, que ficavam desde três, quatro horas em pé, disse a mãe de Coppi, desde então dolorida como se tivesse apanhado, ao se retirar, não se acomodando ao lado de um Rembrandt ou de um Rubens, ao contrário, ela puxava um cobertor sobre o rosto. Conseguir entender o que está escrito em densos volumes, rumo a um guichê, e o preencher de formulários, e o especificar dos desejos, o que significava a confissão de completa ignorância, enfim este não podia ser o discurso. Desde a fábrica de metal, desde as caldeiras do ferroviário, a conduzirem às estações-finais de ônibus, em atalhas pisados em todas as direções, com seus olhos meio fechados, mecanicamente as pernas se arrastavam no caminho de volta. Não era este o problema, como se desenvolvesse de um estilo um outro, ao contrário o que aconteceria após um dia doente se seguisse um segundo dia de debilidade, então o terceiro dia traria, junto ao reduzido apoio, a necessidade mais nua. Antes que a doença caísse sobre o saudável, mesmo que conhecimentos chegassem a ele, seu olhar tropeçaria entre as linhas, ao longos das quais seus dedos passavam, enquanto seus lábios murmuravam algo que a mentia logo novamente esqueceria. A catástrofe penetrava no cômodo, cujo aluguel não podia mais ser pago e logo o locador entrava, sem bater. O que nos elevados e admirados dramas guiava a uma catarse, já era vivenciado, às ocultas, humildemente, em seu impiedoso transplante na experiência cotidiana. O trabalho, disse a mãe de Coppi, tornava-se, após uma interrupção, ainda mais pesado. Contudo, respondeu Coppi, devíamos sempre nos perguntar sobre a nossa missão, geralmente ninguém podia nos esclarecer sobre os contextos, nos quais estamos inseridos. E podemos dizer também sobre as coisas que não eram propriamente acessíveis para nós. Para demonstrar as teorias, que talvez esclarecesse algo sobre is meios e métodos de nossa libertação, devíamos primeiro entender a ordem, na qual nos movimentávamos. Era evidente que nada tínhamos alcançado, daí ser o auto-engano bem maior do que nunca antes. O trabalho cultural que Coppi mencionou em inclusão em funcionamento com a abertura dos cursos noturnos, pois o desempenho era obtido passo a passo, quando se devia superar o cansaço, que nos queria deter. Mais que a metade dos participantes desanimou após a primeira hora. As testas golpearam as carteiras escolares, abatidas após doze horas, de forma que às sete horas da noite eram como se feitas de chumbo. O sistema educacional observava estes decaídos, os sobreviventes que se mantinham com dos dedos nos olhos, a olharem fixamente o quadro-negro flutuante, beliscavam-se no braço, rabiscavam totalmente seus cadernos, e quando nas últimas etapas da aula desanimassem mais ainda, era o bastante, para perder uma semana, por procura de moradia, procura de trabalho, por acidente ou simples desânimo, e eles eram tirados da escola. Querer falar sobre Arte, sem ouvir os inconvenientes, com os quais nos seguíamos, seria uma presunção. Cada metro até o quadro, até o livro, era um esforço, como se rastejássemos, movendo adiante, nossas pálpebras piscavam, às vezes, nestes momentos, irrompíamos em gargalhadas, que nos deixavam esquecer para onde estávamos a caminho. E que se mostrava a nós ao exame de um quadro então, era um emaranhado de fios, brilhantes fios que se concentravam numa pepita, difundia-se, se formavam áreas a partir de santidades, escuridões, e uniam-se os interruptores dos nervos oculares sobre nós em irrompente tempestade de pontinhos de luz as informações que se deixavam decodificar. Podíamos invocar para nós mesmos todas as circunstâncias na memória que nos uniam no caminho rumo à obtenção de conhecimentos, porque nos encontrávamos constantemente em estágio de preparação, porque nós às vezes não saíamos de todo do início, por que nada nos havia sido oferecido, porque o encontro com um tema literário ou artístico nunca teve auto-evidência. Apenas junto as obras do realismo socialista nós tínhamos então recolocado a questão sobre Forma e Estilo, aqui aceitamos, contudo, o conteúdo, que se distinguia fundamental de todos os outros movimentos artísticos. Nós podíamos exigir as etapas, única e apenas por causa de suas novas forças de expressão a serem aceitas. Elas vinham do século dezenove até nós, a partir de um laborioso mistério, os antecessores daqueles que de mostravam, que se erguiam apenas com esforço, libertos e orgulhosos. A imensa potência fora ainda mais nítida, aí atrás dela os escravos, os ressecados, os miseráveis assim visíveis, oprimidos ao longo de gerações contra a supremacia, que se mostrava invencível. Apenas humilhação, repressão, encarceramento havia nas pinturas dos realistas russos, porém na afinidade deles com as pessoas, que eles retratavam, na descrição da injustiça, que ocorria a eles, permaneciam logo ao lado daqueles que planejavam uma renovação. Aí estavam no quadro de Repin os puxadores de barco unidos por correias, os trabalhadores forçados de Savítski, na terra removida para a construção do dique da estrada de ferro, as crianças de Perov, que através da tempestade de neve carregavam os tonéis de água, aí estava o foguista de Jarosjenko [Yaroshenko] chamuscado por brasa vermelha, quase afundado no recluso espaço da fornalha, segurando o atiçador nas inchadas mãos grossas cheias de veias. As faces dos esfarrapados, barbudos servos, que descalços ou com sandálias gastas e botas de cano alto trilhavam através da areia da praia, eram deixados vazios de qualquer esperança. As crianças nos trenós estavam exauridas, com suas faces pálidas, apáticas diante do cansaço. Era o ano de mil oitocentos e setenta e quatro, quando os trabalhadores na estrada junto a poeirenta rampa, vigiada por soldados, suportava sobre ela as sobrecarregadas carroças. No deserto, a anulação de suas vidas, eles que nunca tinham o que aprender das revoluções na França, da Comuna [de Paris], para eles eram os tempos medievais ainda atuais. Também os cortadores de pedra [quadro] de Courbet pouco alívio trazia, porém o trabalho deles no cascalho não era mais marcado por desesperança. As roupas deles eram miseráveis, rasgadas, os movimentos porém transmitiam algo das forças das rebeliões em fevereiro e junho de quarenta e oito [1848], e foram também as revoltas reprimidas, assim parecia-se o arranque, com o qual o jovem trabalhador levantava a cesta cheia de pedras, e o pesado punho dos mais velhos para o Hammerschaft (organização paramilitar social-democrata) renovava os gestos junto a construção de barricadas, meio ao furioso conflito. Ambos voltavam-se diante do observador, que a cópia [do quadro] mostrava-os diante do fundo quase escuro, onde aí um pote quebrado cheio de provisões, algumas picaretas dispostas como se fossem armas, se eles se voltassem assim seria numa movimento cheio de ímpeto. Muito de nossa própria vida nós tínhamos encontrado em tais quadros, de modo incompleto, por alusões, como nós tínhamos visto [as cópias] em revistas e livros, em também em nossas próprias opinião e instrução. Todos, o que nós pretendíamos externar sobre estes [os quadros], poderia ser apenas esboço, rascunho. Ainda precisaríamos de décadas, para termos o conhecimento a partir de ideias aproximadas. Em geral, estando longe dos quadros originais, nós investigávamos o que se mostrava para nós enquanto sombra de uma realidade artística, aguçada em nosso olhar para o típico, o gestual, a relação entre as figuras, sobretudo, o que se deixava ler propriamente a partir de um tom cinza manchado. Os trabalhadores na Suite Doré no porto de Londres encontram-se em igual escuridão abismal, que dominava em suas ilustrações para o Inferno de Dante, eles eram, porém, não expunham o abandono do mundo, senão o estar estafado num círculo de vivos, cuja marca era agora o vapor e a fumaça, o brilho do fogo, a água fervente. Para Millet, sem que ainda conhecéssemos suas cores, era o trabalho diário um incessante, mas necessário flagelo, seus camponeses em meio a névoa, na qual se misturava o suor dos corpos com a ardente luz solar, eles cresciam com ferramentas, eles se misturavam nos montes de palha, lidavam a colheita, ficavam, iguais a um torrão de terra em pleno abafamento antes da tormenta. Porém, eles [os camponeses] não tinham posse da terra, a qual transmitir, e também nada conseguiam, a cada dia, além de suor, exaustão física e algumas moedas, que eram necessárias para o alimento e para sobreviver nos dias futuros, assim eles seguiam, porém, tudo neles era ação, o trabalho nada tinha de estranho, nem forçado para eles, eles eram aderidos a cada alavanca, quando eles pegavam firme, eles sentiam a própria persistência, nunca em seus corpos se aderia o que era sombrio, ou quebrado. Ainda enquanto seres da Natureza eles eram apresentados, enquanto criaturas eles se inclinavam profundamente, para arrancarem os talos, três mulheres numa fileira, em movimento contínuo, uma mão pronta para agarrar, a outra amparando os talos, a terceira reunindo o feixe, todas as formas de igual gravidade, igual valor, era inevitável o lento avançar delas, assim encurvado, porém ainda natural, não visto como componente de um determinado processo de produção. [quadro Des Glaneuses, As respigadoras] As revoltas do ano de quarenta e oito [1848] transmitiam-se bem em gestos de trabalhadores, colocavam a existência social deles mas ainda não em questão, eles ocupavam, algo monumental, também o total espaço da pintura, apoiados na enxada, as pás cavando o campo de lavoura, a mão amplamente oscilando ao semear, assim era, quando se conformavam, porém, ao destino deles. O próprio Millet cresceu entre eles, não morando em cabana, mas enquanto filho de camponeses ricos, ele tinha aspirado o cheiro dos grãos, tinha, igual a Hércules, vigiado as ovelhas, olhava para cima até as formações de nuvens, olhava para o outro lado aos altos penhascos, onde ele imaginava um Prometeu sempre firme, e estas amplidões mitológicas eram ainda encontradas em sua pintura. As revoluções não tinham, à primeira vista, alcançado muito, e o que alcançavam era logo destruído pelo poder da Burguesia, mas não se podia mais negar os resultados da tensão de força, do avançar, do salto, e tudo isso Millet entendera, ao observar esta energia dos proletários e reproduzi-la. Ele não era político, igual a Courbet, ele não perseguia as consequências de revoltas sociais mais amplas, ele apenas relatava o que ele tinha vivido, enquanto Realista ele descrevera a nova determinação na atitude das pessoas, ele que não podia ver os trabalhadores em posse do poder, o que era ainda utópico, porém ele representou os trabalhadores com dignidade, com a qual eles tinham combatido. Em seus quadros via-se claramente um estado intermediário, a expressão física das formas devia ser atribuída às experiências revolucionárias, porém, primeiramente fora introduzida o ritmo da auto-consciência deles, o Poder, do qual eram capazes, era apenas uma tentativa, porém enquanto ele subia de vida no salão da sociedade, enquanto ele retirou as figuras suadas, com seus feições terrosas, como se de argila, de onde tinham resistido enquanto anônimas, e via-se deslocado entre os sofisticados retratos, de ninfas e pastoras, o que ele tinha feito, o que se igualava aos interesses revolucionários. O surgir de tais figuras no meio das galerias da Burguesia era um tapa na cara dos Entendidos [Connaisseure], que achavam que estas pessoas deviam permanecer lá fora, na imundície delas, lá ao lugar ao qual pertenciam. Porém elas não mais algo a rejeitar, alarmar, quando lá permaneciam na hora dos ângelus, em devoção, numa imersão mística, que podia se acumular sobre os campos de Millet, de imediato ameaçando então os trabalhadores rurais, em tamancos grosseiros, arfando sobre as enxadas, e o semeador, escuro, tingido, sombrio a bater os pés ao longo dos torrões de terra, dificilmente um vestígio do céu, antes da aurora ele tinha iniciado a caminhada, e antes do anoitecer ele ainda não tinha terminado. Estes impressionantes gestos pertenciam a Revolução, de súbito estavam os servos e criadas nas veneráveis regiões do Academicismo, ao invadirem a tranquilidade burguesa. Os trabalhadores da colheita no quadro de Lhermitte recebiam do capataz um ganho diário, de pé, todos dignos, sem humildade, um estendia a mão para receber, um outro recontava cuidadoso as moedas, um terceiro sentava-se altivo, maciço, diante de si a enorme foice afiada. A questão salarial era aqui logo proclamada, também a questão do engano à força de trabalho. Eles não eram mais dignos do que eles recebiam nesta tarde, quando diante deles estendia-se a riqueza de grãos que pertencia a outros, porém, eles eram cinco, e o arrendeiro apenas um, e não apenas nesta proporção de forças, também no efeito da condição física deles, que se mostravam bem superiores. Os mineiros, os trabalhadores do porto nos quadros de Meunier erguiam-se da inércia, em profunda seriedade, atravessavam as forças em potência, porém, sequer erguiam a mão. Realmente era raro, durante séculos, que os trabalhadores fossem uma imagem em primeiro plano numa obra de Arte, que se mostrassem em gestos de defesa, de ataque. Porém eis que se apresentavam enquanto nova classe, que eles pareciam bem reais diante do consternado observador, numa obra artística o suficiente. Atrás deles se alinhava uma cadeia de revoltas e revoluções, e eles eram sempre novamente reprimidos, assim eles tinham cada vez mais ganhado experiência, e poderia ser que estivessem melhor preparados para o próximo ataque. Que os pintores se aproximavam deles [os trabalhadores], que eles procurassem motivos para as suas pinturas a partir do mundo do trabalho revelava que também a Arte se libertava de velhas amarras que insistiam com suas forças, que vinham do povo, forças que deviam ser articuladas, antes de tudo de novo, das quais eram capazes o pronunciar da expressão conciliatória. Os pintores entendiam esta reclamação, eles não pretendiam ainda contagiar todo o sistema, no qual viviam, porém eles denunciavam, destacavam as situações precárias, eles viam nos trabalhadores os seus clientes, eles [os pintores] protestavam em nome deles [os trabalhadores], por algum tempo eles [os pintores] se identificaram com eles [os trabalhadores], então também eles deixavam-se novamente se cativar pelas seduções das convenções. Como sempre ficou nisso o protesto que surgia do povo, primeiramente encontrava uma formação de alto nível, ali enquanto expressão autêntica não mais digna de confiança, que não precisava ser idealizada ou dramatizada, porém facilitava uma existência independente no mundo a partir de formas e cores. Apenas indiretamente as obras realistas do século passado [século 19] queriam ajudar aos trabalhadores. Enquanto as imagens deles irrompiam há tempos na esfera da Arte, eles eram, os inspiradores, ainda excluídos dela, raramente eles chegavam a ver a face, que os mestres das vidas deles tinham conservado, porém os favorecidos aprendiam, a se voltar para eles, a se ocuparem de seus problemas. Provisoriamente este era o único desenvolvimento possível. Assim como as ações básicas das Revoluções sempre recebiam a partir de cima e assim eram utilizados, assim se batiam também ideias e esperanças daqueles que queriam progredir, abaixo das reservas de cultura, onde eram submetidos. Frequentemente, por completa simpatia algo era concedido ao povo, algo que não lhe pertencia. Este ciclo, que cria uma constante afronta, uma repressão a romper de uma vez, o que se devia a nós mesmos. [...]




continua...




sobre a exposição “Arte Degenerada
promovida pelos nazistas
http://obviousmag.org/archives/2008/04/arte_degenerada.html
http://historia.abril.com.br/cultura/arte-degenerada-obras-inimigas-435433.shtml
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,2879528,00.html

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pintores citados
http://pt.wikipedia.org/wiki/Max_ernst
http://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Klee
http://pt.wikipedia.org/wiki/Kandinsky
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http://pt.wikipedia.org/wiki/Kurt_Schwitters
http://pt.wikipedia.org/wiki/Salvador_Dal%C3%AD
http://pt.wikipedia.org/wiki/Magritte
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http://pt.wikipedia.org/wiki/Otto_Dix
http://pt.wikipedia.org/wiki/Georg_Grosz
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lyonel_Feininger
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http://pt.wikipedia.org/wiki/Emil_Nolde
http://pt.wikipedia.org/wiki/Oskar_Kokoschka
http://pt.wikipedia.org/wiki/Max_Beckmann
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Uma Temporada no Inferno (Rimbaud, “Une Saison en Enfer”)
http://www.jornaleco.net/Rimbaud/temporada.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Une_saison_en_enfer
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mais artistas / pintores
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rembrandt
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rubens
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http://pt.wikipedia.org/wiki/Ilya_Yefimovich_Repin
http://es.wikipedia.org/wiki/Konstant%C3%ADn_Savitski
http://en.wikipedia.org/wiki/Vasily_Perov
http://en.wikipedia.org/wiki/Nikolai_Yaroshenko
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mais sobre o realismo russo na pintura
http://pt.wikipedia.org/wiki/Itinerantes

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mais pintores realistas franceses
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gustave_Courbet
http://pt.wikipedia.org/wiki/Millet
http://pt.wikipedia.org/wiki/Honor%C3%A9_Daumier
http://es.wikipedia.org/wiki/L%C3%A9on-Augustin_Lhermitte
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pintor belga Meurnier
http://es.wikipedia.org/wiki/Constantin_Meunier

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videos
http://www.youtube.com/watch?v=pyVod6vNxFg
http://www.youtube.com/watch?v=XgZb9E32seo&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=JMBJr0VNoCo&feature=related

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sobre a Hammerschaft, a organização paralimitar
social-democrata, suborganização do Reichsbanner
em
http://en.wikipedia.org/wiki/Reichsbanner

obras de Gustave Doré
http://dore.artpassions.net/
http://djelibeibi.unex.es/libros/Dore/
http://www.all-art.org/impressionism/dore1.html


LdeM

2010/2011

sábado, 4 de setembro de 2010

Vol. I - I - bl. 4 (2/2)

[...]


A mãe de Coppi inclinou-se sobre a Cordilheira de Tauros, que ao norte limitava o Reino de Selêuco, o rei da Babilônia, a mão de Heilmann deslizava de Alexandria, do trono de Ptolomeu, para cima sobre o Mar ao centro, para onde se tornaria a Residência dos Atálidas. Para isso foi determinada o aumento da guarnição para proteger o trabalho do Governador, e Filetero logo percebia as possibilidades que seu cargo lhe concedia, ele que não mais queria servir a Lisímaco, mas sim fazer-lhe litigiosa a posição de monopólio. Ele tomou de assalto a torre da fortaleza onde estava guardado o cofre com nove mil talentos, correspondente a quantia de trinta e dois milhões de Marcos-ouro [Goldmark], e concentrou-se a arriscar logo como um recurso, cercando em todas as áreas de fortes grupos de servidores para a proteção seus interesses. As suas chamadas pretensões, ele poderia perguntar, como quando seu arruinado chefe lembrava-lhe a realização de deveres mais convenientes. Dele [de Lisímaco] nenhum perigo ameaçava Filetero, mas sim seu concorrente meridional, Selêuco, com o qual ele [Filetero] aceitou uma Aliança, que permanecia sob o signo do respeito mútuo, enquanto se conseguia um equilíbrio das potências militares. Acordo de amizade seria chamado, e com esta terminologia de gerência de mercado, ele estabeleceu um domínio de proteção sobre as cidades litorâneas, que após expulsar os Persas o imperador Alexandre tinha resgatado antigos direitos de autonomia. O lema que o grande conquistador tinha divulgado, que ele seguia para a restauração da Democracia e que os gregos tinham prioridade diante de todas as outras raças, vieram à propósito da Polis [cidade-Estado da Grécia clássica]. Durante sua marcha de dez anos pelo interior da Ásia, rumo ao Indo [rio da Índia] onde fundava bases militares e consolidadas posições de colonização para taxar-proporcionalmente sobretudo favorecidos mercadores gregos, e depois se alteram os chavões alexandrinos [as promessas de Alexandre]. Ele precisava dar ao seu Império mundial, do qual ele se apoderou em sua ambição pelo poder e imoderação, uma unidade e daí renunciava à discriminação racial. Seu discurso era de reconciliação, de uma reunião entre Ocidente e Oriente, de uma comunidade e união, e delineava-se como isso, no entanto, não mais que uma insaciável necessidade de triunfantes e consistentes batalhas, até o esgotamento, para torturar até a morte os potentados inimigos, ou recolher prisioneiros, para serem utilizados enquanto escravos, enquanto reforços para as tropas, e as mulheres entregues aos oficiais e meritórios soldados. Diz-se que Alexandre devido a sua morte prematura não tinha chegado a compreensão e se humilhado, pois para ele atacar era uma extrema histeria, que irrompia regularmente em revoltas de tropas impacientes. Era o mesmo tom que então notamos no Cabo [Gefreiter, a patente militar de Adolf Hitler] que tentava ascender à categoria de dominador mundial, ainda não foi alcançado, ele convenceu os hesitantes, cansados novamente ao seu lado, quando fazia-lhes promessas. Tivesse a febre não o arrebatado aos trinta anos, então ele afundaria, após um singular tempo de comoção, junto a enorme e insustentável estrutura [de seu Império] a desintegrar-se em toda parte. Ele [Alexandre] legou confusão, escombros e inimizade. Com o expandir do espírito de negociatas, Filetero permitiu a posse de terras e o domínio comercial, cuja subvenção ele precisou de início, a atribuir privilégios, quando latifúndios deviam ser ampliados, os negócios recebiam livre acesso às mercadorias coloniais, por um momento os cidadãos podiam se conservar sem prejuízos, pois a cobrança de tributos e juros de arrendamento mantinha ao custo de pequenos agricultores, artesãos e trabalhadores. Para os habitantes das cidades litorâneas, que outrora seriam absorvidas numa liga militar espartana ou ateniense, a um rei da Lídia, algum Almirante macedônico, trácio ou rodense, parecia que o impulso econômico estava iminente ao tempo da fundação do Império de Pérgamo, e era no interesse deles, que lá fortaleza o Regente se cercava de brilho e honrarias, a fazer-se cada vez mais importante, e assim mais respeitado pelos impérios vizinhos. Ainda não se percebia que ele tomava mais e mais da influência das Polis [entende-se: o poderio da Monarquia diminuía o exercício da Democracia]. Em cidades cercadas por muralhas mantinha-se a divisão de classes entre os cidadãos, expedicionários, soldados, libertos, e escravos dependentes de particulares, públicos ou principescos, os cidadãos tinham direito de expressão no aparente regime democrático, exercido por Assembleias legislativas das câmaras de Representantes e dos Conselhos, os integrantes das magistraturas poderiam ser eleitos pelo povo. Mercenários de estranha procedência, que provavam lealdade ao exército, recebiam a cidadania, aos oficiais eram repartidas propriedades rurais, e aos soldados, que tinham se destacado em batalhas, pedaços de terra, realizava-se a transição da sociedade grega de cidades-Estado [Stadtstaaten] para uma Monarquia helênica absoluta com a instrução de uma ampla camada populacional de possuidores, que um interesse tinham em lucrar com seu cereal cultivado, seu gado e seus pomares. A partir disso, o prudente Filetero revelou uma consideração nacional, a convocar a prontidão da defesa armada do Estado. Ele estava sujeito não apenas à cobiça dos reis do sul e do oriente, mas também precisava das comitivas das cidades e do países no total para a defesa contra os povos celtas, que, em períodos de seca e de afluência de germânicos deixavam os seus locais de morada na Gália, e refugiados seguiam o Danúbio através da Trácia e se derramavam no estreito marítimo até as regiões costeiras dos jônicos. A Dinastia dos Atálidas estabelecia-se, após Átalo, assim chamado por seu pai, que serviu à Alexandre no posto de general, pediu a Filetero uma salvaguarda dos Deuses e uma aliança com os Mitos, e se juntou aos soldados convocados em grande quantidade, para maior validade. Tal qual Alexandre outrora alegou ser um descendente de Hércules, assim ele dizia descender em linha direta de Télefo, o filho de Hércules, que, depois que sua mãe Auge morrera num naufrágio, tinha ele encontrado um abrigo na fortaleza de Pérgamo. Seria contar uma história de cinquenta anos durante os quais Filetero e seu irmão Eumenes lutaram contra os gauleses, até o seu sucessor livrar o país dos inimigos, e chegar a nomear-se Rei Átalo I, disse Heilmann, numa tentativa igual a de tentar explicar a confusão de um pesadelo. Ele queria, ao continuar, ainda nos motivos dessa fantasmagoria, a pesquisar suas fontes, que naturalmente permitiam nas mesmas relações ordenar os eventos, que causaria perplexidade aos nossos sucessores daqui a dois mil anos, o que acontecera conosco no último meio século. Os gauleses eram bebedores de cerveja, os helênicos tinham mais a ver com vinho, disse ele, daí antes de tudo a diferença básica, com a qual a população do país reconhecia os novos invasores, com suas tradições de guerra, com suas cornetas-de-chifres, eles vieram com suas famílias em colunas de carroças, eram quase mais brutais que os mercenários de outrora, que roubando e saqueando passaram pela região. Eles procuravam por regiões onde se estabelecer e onde pudessem cultivar o lúpulo, e assim como os abrigos deles haviam sido atacados, eles perseguiam outros em suas moradas. Não se aproximaram das cidades fortificadas, pois contentaram-se em cortar suas vias de acesso e exigir pedágio dos moradores, o que em caso de emergência era até legítimo, e além disso, correspondia a uma providência comum nestas épocas despóticas. Assim assediar os ricos centros de comércio, oferecendo proteção, recebendo pagamento em mercadorias, aqui e ali atacando os celeiros, ocupando os portos, ao expandir suas tribos no noroeste da Ásia Menor, enquanto se dirigiam às altas terras centrais, onde eles receberam um estado-livre meio aos frígios e capadócios, lá estavam os homens prontos para servirem no exército do rei da Bitínia e Ponto. Fossem na infantaria ou na cavalaria eles poderiam vender sua força de trabalho como a melhor de todas, e quando do noroeste, nos regimentos de Nikomedes e Mitrídates, marchavam de volta para o território de Pérgamo, onde nos exércitos dos Atálidas haviam outros seus parentes reunidos, que avançaram contra as clãs gaulesas no norte do país. Assim gauleses combateram contra gauleses, assim avançaram macedônios e trácios, persas e sírios uns contra os outros, e em todas as tropas reunidas encontravam-se mercenários vindos de Creta, Rodes e Chipre, e grupos de soldados dispersos de nômades da Mísia [na Anatólia / Ásia Menor], com seus chefes tribais, seus próprios deuses e cultos, e vindos das guerras de Alexandre o remanescente povo círtio [Cyrtier, eng. Cyrtians, povo medo-persa, possível antepassado dos curdos] vindo do distante Eufrates. Nestes conflitos foram recrutados os jovens do país, por uma dracma por dia, para mantimentos e bebidas, para dispensa de impostos e a garantia de que eles poderiam guardar o saque de guerra, e que o soldo caberia à família no caso da morte deles. Aos soldados concederam nenhuma pátria. Lá podiam discursar os promotores e oficiais, em suas funções sacras, que os soldados raramente sabiam os nomes dos senhores, sob cujos estandartes eles se uniam em combates. Enquanto soldados diaristas eles seguiram em marcha adiante, para alcançar a terra dos reis, os recursos minerais e as matérias-primas, e o mais importante meio-de-produção, os escravos. Eles, os trabalhadores, atacavam uns aos outros, para afundarem uns aos outros ainda mais na servidão, e assim eles estavam muitas vezes nas amargas empresas comerciais, nas quais também interferiram, aproveitando a posição dos selêucidas e dos ptolomaicos ao sul, no acampamento dos adversários. Para desviar dos verdadeiros objetivos dos ataques, os propagandistas de Pérgamo permitiram mais uma vez a gritaria solta sobre raças inferiores e selvagens, sobre os Bárbaros, que deviam ser eliminados, e o restante da propagada ilusão de Alexandre sobre uma convivência pacífica entre os povos foi abaixo nas praças do mercado, nos relatos sobre as depredações, pilhagens, profanações e saques incendiários dos estrangeiros. Atordoados pelo quadro de terror dos invasores, em pânico ampliado pela ameaça de serem jogados todos na escravidão, se eles não levassem seus sacrifícios para a vitória de Pérgamo, os cidadãos deram suas últimas reservas, os latifundiários, seus gados e suas colheitas. Há algum tempo definidos na administração os funcionários da Corte, os representantes não eram mais livremente eleitos, mas sim nomeados ao Conselho do príncipe, e os trabalhadores sabiam que não podiam compensar as perdas que seus senhores sofreram devido ao aumento dos tributos, e quem em breve se iniciava, meios as riquezas artísticas da culminante fase da alta Cultura, uma volta à antiga divisão de classe disposta numa flagrante segregação regredida numa pequena camada de privilegiados e numa massa amorfa, onde os cidadãos sem-poder, os comerciantes empobrecidos, e artesãos e escravos de todas as procedências se ajuntavam sempre mais uns aos outros numa toda abrangente pauperização. Outra coisa além de um sobrepor-se de golpes de uma constante e incitante brutalidade, disse Heilmann, indo e vindo diante da porta encoberta, ele não poderia imaginar no completar-se do absolutismo do reino de Pérgamo. Quantos de seus cem mil habitantes perderam a vida, os historiadores não informaram, porém eles mencionam, após a vitória na fonte de Kaikos, o número de quarenta mil prisioneiros gauleses, o que deixa inferir o múltiplo dos exterminados e dos refugiados nas montanhas orientais. No silêncio, entre as espessas paredes ao redor, nós escutávamos por algum momento, pois assim se ouvia o chocalhar de armaduras e armas, o abafado destacar-se, o estalar dos ferros penetrando na carne, e então, durante alguns segundos, bradaram as lutas próximas na cozinha, os elmos e as espadas reluziram sob a lâmpada, lá deixadas mortas as mulheres e as crianças dos guerreiros gauleses. A pacificação do reino, porém, disse Heilmann, foi, como esperada, apenas aparente, pois o acúmulo de escravos estrangeiros, a crescente exploração do povo devia criar desordem. Apoiado pelas famílias feudais, que já gerenciavam postos de comércio, por uma casta de oficiais e uma administração corrupta, Átalo, o Libertador, consolidou seu regime militar e preparou a política prática que permitiu a seu filho, Eumenes II, fazer Pérgamo ser famosa no mundo. Ele estabeleceu alianças com as quais ele poderia defender-se dos adversários meridionais, que após duas gerações, contudo, levaria sua linhagem ao fim. Em vez de envolver-se em hostilidades com os Romanos, que então avançavam rumo à hegemonia no Mar Mediterrâneo, pelos quais ele seria derrotado, ele ofereceu-lhes relações comerciais, permitiu-lhes o estabelecimento de feitorias, iniciou uma troca cultural e apoiou-os nas suas guerras de conquista na Macedônia, enquanto estes Pérgamo ajudava a derrotar Antíoco da Síria e Farnaque de Ponto. Sem o pacto com Roma não haveria o Templo de Zeus com os seus frisos, com notável estilo inovador, em liga contínua, até os muros externos. Durante quarenta anos, na assegurada paz através de conferências, através de ativo jogo diplomático, dedicaram-se ao intelecto nas duas últimas décadas do completo isolamento, a criarem com supremo esforço, a síntese do senso artístico de todo um século. Dependentes de Eumenes, que se nomeou o Benfeitor, e que de sua parte precisou das graças do Senado Romano, para deter os potenciais agressores, enquanto seu reino, que se estendia do Helesponto até Taurus, oferecia aos romanos uma proteção contra os agressivos Regentes asiáticos, negociando em missões que em seu exercício do poder deviam limitar a expansão das obras de Arte a um pequeno círculo de privilégios, amplamente cercados de sujeição, desordem e debilidade, enquanto os escultores executavam uma obra, que desafiava todas as modernas [daquela época] condições com qualidades peculiares. Não que se negasse suas realizações, claramente para elas apontavam, a quem valia enaltecer e a quem humilhar, porém nós lembramos agora que as pedras trabalhadas, assim com as feições rígidas e frias dos deuses, em aparências irreais em suas dimensões de distanciamento, enquanto vitimadas, apesar de todas as deformidades continuaram humanas, marcadas por angústias e sofrimentos. Porém permaneceram os mestres por sua vez, perguntou Coppi, abertos para a revolta, que nos Estados [Polis, cidade-Estado] ferviam, ou assumiam a luta de antagonismo, a separação, o rebelar-se enquanto incentivo para as esculpidas formas, movimentos, contrastes. Eles deviam saber de Aristonikos, o filho de Eumenes e uma concubina nascida em Éfeso, filha de um tocador de harpa, deste excluído da sucessão [ao trono], que se aproximava do povo e experimentava a situação emergencial, disse Heilmann. Eles deviam conhecer os preparativos, que Aristonikos acertava, para agir junto aos camponeses sem terra, os soldados descontentes, os escravos contra a soberania dos enganadores e ladrões e então fundar um Estado justo. Um revoltar-se que não foi novidade, nas colônias helênicas os escravos se rebelavam, em Kassandra os pobres tinham antes se revoltado, e em Esparta logo voltariam atrás os patriarcas macedônicos com a rebelião de Agis e Kleomenes. O declínio, ao qual se resignava a supremacia de Pérgamos, agora se processava, enquanto o poderio deles vivia a última ascensão. Na polarização social não venceram as forças que desejavam provocar um avanço social, mas ao contrário o conservadorismo seguido de autodestruição. Desde muito tempo estavam prontas as coortes romanas ['coortes' eram subdivisiões da 'legião'; cada 'coorte' reunia cerca de 500 soldados], a esperar de seus núncios as ordens para marchar, porém antes que se desse um momento oportuno para o ataque, eles receberam um chamado de Átalo III, filho de Eumenes, legítimo sucessor do trono, último da linhagem dos Átalidas, para atuar no país contra seu meio-irmão, pois ele [Átalo] preferia entregar a eles [os romanos] o reino do que ficar sob uma soberania popular. Os generais romanos tinham enquanto isso, em Corinto e Cartago demonstrado o que eles entendiam por Império [ou domínio imperial] e com um olhar sobre os amplos planos eles chamaram de Ásia aquela aquisição helênica. Após a transferência de forças armadas, a instalação de prefeituras e tributos sobre renda, após a trituração de exércitos invasores vindos do leste e do sul e o posicionamento de redes de fortificações através de Sulla, de onde veio Antonio e mandou vir da Biblioteca de Pérgamo o saber enrolado em pergaminho a ser carregado para Alexandria, como presente de casamento para Cleópatra, sua Ísis, sua Rainha dos Reis, e a estátua dele, como Deus e Benfeitor, assim como os monumentos e colunas de Trajano e Adriano se destacaram logo meio às relíquias de esquecidas majestades e divindades. Novos templos, para o culto de Roma e de seu César, surgiram a partir dos alicerces dos palácios dos Atálidas, e prédios colossais, arenas, termas para terapia de saúde, cercadas de montanhas, e lá acima os banhos de lama de Caracalla, próximos às apresentações teatrais, aos espetáculos musicais e de dança, aos concursos artísticos e discursos eruditos, se apresentam classes e nomes, e abaixo, sob os canos de esgoto das vielas, nos estaleiros trabalhando sob alta pressão, em ferrarias e manufaturas, os plebeus tombavam sob o chicote e por exaustão. Contudo, o poder romano, com seus rápidos golpes baixos, seus passos furiosos, seus agiotas, seu bem organizado militarismo, não era contra o sistema mantido por Bizâncio [o Império Bizantino, ou Romano do Oriente; também o termo 'bizantinismo' expressa a política autocrática ou retórica, complexa e instável]. Sob os Romanos houveram pelo menos tentativas de reforma, ao manter-se o interesse pela educação, ao incentivarem professores, médicos, cientistas, no Império Bizantino, porém, revelaram-se as últimas forças a serem celebradas com imensa pompa vazia, e sobre os oprimidos se empilhou a hierarquia da nobreza espiritual e secular, cercada de aduladores e bajuladores, impalpável na furtiva dignidade deles, incomum para o crime deles. As grandes mãos ossudas sobre o joelho, as pernas, com inchadas veias azuladas, uma junto a outra na bacia mantidas, disse a mãe de Coppi, que ela se perguntava, se não sob o fardo do tormento, com o que o competir das obras-de-arte foram pagas, eis o que para todas as épocas se devia conceder algo de repulsivo. Ela entenderia também os queimadores de cal, que os fornos deles instalaram próximos aos sedimentos de antigos santuários. As ruínas de capitel, cornijas e estátuas foram para eles apenas uma pedreira de mármore, e se vez ou outra ele viam uma face, um corpo, um animal nos blocos quebrados, eles não haviam de se incomodar, a pensarem que, sobretudo, no cal ficaram presas. O mesmo quanto aos muros onde foram ajustados os blocos de pedra lavrada para construções, pois foram usadas pelos queimadores de cal como matéria-prima para a produção de argamassa comercializada. Desde séculos era a cal fabricada a partir da fartura dos destroços de mármore, e todo um trabalho manual, a incluir o transporte em modestas carroças para as aldeias nos arredores, que a chegada de um engenheiro instruído em arqueologia veio interromper. A mãe de Coppi queria saber, se então os queimadores de cal foram indenizados depois que Humann [Carl H., 1839-1896, engenheiro alemão], que construiu em pedido do governo turco uma estrada através da Ásia Menor ocidental, e descobriu durante uma excursão nas terras altas as antigas ruínas, e expulsou os trabalhadores do local da descoberta. Eles deviam, disse Heilmann, por ordem do Grão-Visir Fuad Paxá [do Império Otomano], seguir, com seus equipamentos, para o leste, nas montanhas, das quais eles, como foi dito, procediam e que outrora pertencera a uma região de nome Galácia colonizada pelos refugiados celtas. Outra vez executou-se a remoção dos barbudos preformados, que aos Gigantes tinham dado aparência. Eles, os vivos, perderam-se na estepe, deserto e pedregulhos, de modo que a pedra pudesse despertar. Em setembro de mil oitocentos e setenta e um, numa manhã clara, após uma noite brumosa entre ciprestes e amoreiras, Humann esfregou a areia do cabelo enrugado, das órbitas dos olhos, da sofrida boca aberta do filho de Ge [Gaia], que na terra árida ficou enterrado. Ele passou longo tempo com preparações e pequenas escavações, antes que ele em junho de setenta e oito pudesse começar com o trabalho propriamente dito. Quem patrocinou o empreendimento, perguntou a mãe de Coppi, e quanto custou. No primeiro período, calculado em vinte e cinco dias, disse Heilmann, o Humann manteve vinte trabalhadores, a maioria búlgaros, no encargo. O salário deles por este período chegou ao total de oitocentos marcos. O capataz recebeu cem marcos. Quinhentos marcos foram estimados para ferramentas e equipamentos técnicos. Os honorários de Humann chegaram a mil marcos. Com os custos de viagem e outras despesas chegaram os gastos a três mil marcos. O dinheiro veio, depois que Sua Alteza real e imperial Frederico Guilherme [Friedrich Wilhelm, Frederico III, 1831-1888], o príncipe-herdeiro [Konprinz], ter se interessado pelo propósito, veio das reservas financeiras da realeza. Após a vitória sobre a França, a coroação do rei prussiano à Imperador [Kaiser] e a fundação do Império Alemão [Deutschen Reich] e após, em Paris, ter sido esmagada ameaça ao Capital(ismo), a Comuna [governo popular de resistência contra os franceses derrotistas e os alemães invasores; resistiu durante quarenta dias, quando os communards foram massacrados], manteve-se a época da expansão industrial, o controle sobre o continente, e a capital, a sede da Corte, exigiu para os tesouros, o que poderia se destacar de forma artística ao monarca e senhores-coloniais. Assim, não se interromperam as escavações no monte de Pérgamo, continuaram mesmo com a guerra entre Turquia e Rússia. De início seriam entregues um terço das obras de arte ao descobridor e dois terços ao estado turco; em sua condição de dependência porém o governo do Grão-Visir [Großwesirat] disse em Constantinopla que dois terços seriam para o governo do Kaiser, e depois desistiu também do último terço, mediante uma remuneração de vinte mil marcos e o pagamento de uma contribuição de igual soma para a necessitada população do país. Ao término da revelação da cidade alta [Burgberg] e do translado de mais de mil caixas cheias de placas de frisos, colunas e esculturas para o museu construído por Schinkel [Karl Friedrich S., arquiteto prussiano, 1781-1841], no ano de oitenta e seis [1886], foram entregues para o mármore de Pérgamo trezentos mil marcos vindos das reservas financeiras e do orçamento estatal para a Cultura [Kulturbudget], até uma quantia reduzida em comparação com a aquisição de outra Arte e em proporção ao valor recuperado. E porém, pode ser ao que, e é até cruel, nunca ser incluída a beleza, disse a mãe de Coppi, e então do poço do pátio subiram gritos, chamados, janelas foram golpeadas, portas batidas, o zelador tinha descoberto um brilho de luz, devido ao ordenado escurecimento por exercício de proteção contra ataques aéreos [Luftschutzübung], e fez-se na escadaria um tumulto, e nós nos sentamos todos quietos, a ouvir como, de repente, uma raiva sufocada, um desgosto acumulado, uma fúria reprimida explodia, a irromper em clamor e vozerio e do mesmo modo rapidamente ser censurada. Alguém seguiu furtivamente lá fora sob os degraus, Febe, a toda brilhante radiante, a mirar com a tocha ardente diante das faces dos recuados Gigantes alados, e Asteria, sua filha, a luminosa divindade estelar, agarrou pelos cabelos o adversário, golpeado e mordido na perna por um cão de caça, e empurrou-o, ele que não podia impedi-la, com a mão derrotada em seu braço, que ela enfiasse uma espada através da clavícula até ao peito dele. Assim, ela uniu-se a todos, os Divinos, em gestos de supremacia, Leto a golpear tal um lança-chamas sobre os derrotados, enquanto mantinha os pés no firme quadril de Tício de boca gritante, e ela superou-se em glória enquanto mãe de Artemis e de Apolo, enquanto o Selvagem, o rebelde haveria de expiar para sempre nos Infernos, devorado por abutres. Afrodite, deusa do Amor e da Beleza, forçou suas ricas adornadas sandálias sobre a testa de Chtonios, deitado sobre um monte de mortos, para arrancar, com toda força, a lança do corpo dele, o decaído demônio que logo apodreceria, a tornar-se nutrição para as plantas da floresta, porém, à nascida da espuma [Afrodite], foram previstas inumeráveis vitórias e inesgotável veneração, por escolha das Moiras, que fiam a linha da vida, e repartem o destino das vidas e podem deter a extensão [do fio da vida], a fulminar vítimas, enquanto a lisura das faces delas mantinha impassível sobre a tormenta da guerra, carência e terror, que as caçadoras provocavam, a deixarem para trás os cadáveres, e Hécate, a auxiliadora, provida de três pares de braços, três cabeças, apontou, protegida por um grande escudo, bastão de fogo, lança e espada, para o gigante grandalhão, cuja mão agarrava um bloco de pedra como se fosse um míssil, e cuja feição do rosto previa a inescapável condição de derrota. Com pedras apenas, disse a mãe de Coppi, poderiam eles se defender contra os blindados e aqueles pesadamente armados, eles que se ajoelhavam, se arrastavam, se partiam, caídos no dilacerado calçamento das ruas, expostos aos canhões de água, bombas de gás e metralhadoras. Eles viam a luta em nossa cidade ocupada, nosso país dominado, e ajudou em nada, que Ge [Gaia] para implorar compaixão para seu filho Alcioneu, pois ele estava no poder de Atena, que a ele a mordida mortal da serpente em seu peito não foi suficiente, para ela que desejava a completa destruição dele. Os desarmados foram condenados ao extermínio, a se arrastarem juntos atrás das barricadas, e condenados pelos Escolhidos, que ostentavam nomes impressionantes que se propagavam por toda parte, e considerados imbatíveis, a constituírem uma suprema ordem mundial. Ela [a mãe de Coppi] observou, após ter esvaziado a tijela, ao inclinar-se sentando-se na cadeira, com a toalha de mão sobre as pernas, em contraponto às nossas irreais, sombrias projeções, em nossas descrições em todo lugar apenas o triunfo do torturador distinguindo-se sobre o tumulto dos desprovidos de poder. E, após longo silêncio, disse Heilmann que obras como aquelas, que vinham de Pérgamo, sempre deviam ficar expostas, até uma reversão finalmente vencer e os terrestres despertarem das trevas e da escuridão e mostrarem-se em aparência autêntica.
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[pausa]

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